O cansaço que não passa com descanso
Existe um tipo de cansaço que não cede ao sono. Você dorme oito horas e acorda como se não tivesse dormido. Tira férias e, ao voltar, sente que o peso retorna antes mesmo de abrir o e-mail. Não é preguiça, não é frescura, não é falta de propósito. É o seu sistema nervoso dizendo que ultrapassou um limite. O burnout não é apenas excesso de trabalho. É o acúmulo de exigências sem espaço para recuperação. Quando vivemos em estado de alerta constante, o corpo deixa de distinguir entre urgência real e urgência percebida. Tudo parece igualmente urgente, igualmente pesado. Na clínica, vejo isso com frequência: pessoas competentes, dedicadas, que construíram carreiras sólidas e, de repente, não conseguem mais sustentar o ritmo. Não porque ficaram fracas. Porque o sistema que sustentava aquele ritmo está esgotado. A Experiência Somática nos ensina que o corpo guarda o que a mente tenta ignorar. Aquela tensão no ombro, o nó no estômago antes de reuniões, a irritabilidade que parece desproporcional. São sinais, não defeitos. E quando aprendemos a escutá-los, algo muda. O primeiro passo não é fazer mais. É parar de exigir de si mesmo que funcione como se nada estivesse acontecendo. Reconhecer o cansaço não é fraqueza. É o início de um movimento diferente. Se você se reconhece nessas palavras, saiba que não precisa esperar o colapso para pedir ajuda. O processo terapêutico pode começar justamente aqui: no ponto em que você percebe que algo precisa mudar, mesmo sem saber ainda o quê.